Blog da Galera: de saia, Marcelo fotografa a representatividade

E aí, galera! Tudo bem? Aqui é a Aniké Pellegrini e dessa vez eu trouxe uma matéria que espero servir de inspiração para vocês da mesma forma que é para mim.Há uns meses, estive buscando feeds de Instagram que me inspirassem, ampliassem meu ponto de vista e me ajudassem a construir minha identidade. Efoi assim que acabei encontrando o @1993agosto. Fiquei encantada!https://www.instagram.com/p/Bk-TgMDB5Vj/?utm_source=ig_web_copy_linkPor trás das fotos publicadas na conta, que exalam autenticidade, está o fotógrafo carioca Marcelo Moraes, que veio morar em São Paulo com o que tinha: uma câmera. Ele estava em busca de emprego e de melhorias de vida. Desde então, tem ganhado muita visibilidade.

Eu, particularmente, me inspiro no Marcelo pelo simples fato de ele emanar a imagem de um espírito livre, que claramente não liga para a opinião de terceiros sobre o que ele vai vestir ou fazer, o que é ou não “aceito” pela sociedade.

Inclusive, fiquei muito feliz quando o Marcelo aceitou participar desta matéria. Acredito que um material como esse possa estimular buscas semelhantes as que fiz e a procura pela construção de uma identidade própria, que é extremamente importante. Confira minha breve entrevista com o fotógrafo:

Aniké: Como você define teu estilo?
Marcelo: Defino meu estilo como único. Busco referência na moda japonesa e também gosto dos anos 90.

Aniké: Você é um homem que veste saia, Melissa e pinta as unhas. Tudo isso no campo do rap, muito caracterizado pelo machismo, o que causa incômodo nas pessoas ao seu redor. Como você lida com isso?
Marcelo: Lido bem. Isso não é algo que me incomoda, porque na minha cabeça são só roupas mesmo.

 

Aniké: A sua imagem é inspiradora e seus seguidores te reconhecem na rua pelo seu trabalho. Você imaginava alcançar essa visibilidade?
Marcelo: Imaginava, porque tudo que foge do padrão causa estranhamento, seja bom ou ruim. Eu sabia que tinha uma mensagem pra passar e que isso seria algo que atrairia pessoas.

Aniké: Parte da inspiração que você promove vem da sua imagem de espírito livre. Você sempre foi assim, desconstruído e livre?
Marcelo: Não! Fui escravo do sistema por muito tempo, mas, por outro lado, desde que me entendo como gente, busco minha desconstrução diária, o que eu faço até hoje, com muita luta e afrontamento.

Aniké: Você é uma de minhas inspirações, mas quem eram as suas?
Marcelo: Que f*d@ ler isso! Eu ouvia história do meu pai usando cropped de tricô com calça boca de sino e tamanco, na época que ele era DJ nos anos 80. Assim, ele me inspirou.

Hokage da Aldeia do Clitóris Secreto ✨〰️ @ratsuo_

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Aniké: Qual tua sugestão para lidarmos com críticas construtivas ou não?
Marcelo: Que apenas tentem absorver o que for bom, já o que não for, joga fora.

Aniké: Pintar as unhas e usar saia se tornou uma atitude muito autêntica em você, mas de onde surgiu essa vontade?
Marcelo: Eu nunca liguei pra roupa. Desde criança, eu já brincava usando roupas que não eram “apropriadas” para um menino. Percebi a força que tem o empoderamento por estética quando aprendi sobre ideologia de gênero, lá em 2010.

Aniké: Escolher cor de esmalte é algo muito difícil, justamente por termos diversas opções. Qual teu critério para escolher a cor?
Marcelo: Pinto unha desde menor e sempre foi a cor preta, que passou a ser minha zona de conforto. Então, pinto de preto quando não quero me expor e colorido quando quero.

Я люблю тебя 🥀

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Aniké: Quais são suas perspectivas para o futuro?
Marcelo: Ser um diretor criativo bem sucedido. Estou na caminhada e a parte mais difícil já foi!

Fica aqui meu agradecimento ao Marcelo. E se você ainda não foi buscar o perfil dele no Instagram, ainda dá tempo! Sugiro que não busque apenas por ele, mas também por outras referências e inspirações.

Beijos,
@keke_bp

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